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‘PSD não é um partido de direita, é centro. Nós erramos’. João Rodrigues avalia derrota nas urnas e projeta futuro partidário

15/10/2026

João Rodrigues, ex-prefeito de Chapecó e candidato a governador nesta eleição, fez uma avaliação de seu desempenho nas urnas durante entrevista ao jornalista Vitor Bianchin, do portal Diário do Iguaçu, nesta semana. Ao ser questionado sobre o que deu errado na eleição, João atribuiu parte do resultado à escolha da sigla partidária, reafirmou sua posição à direita do espectro político e projetou seu retorno à vida pública daqui a quatro anos. O caminho, segundo ele, poderá passar por outro partido, desde que esteja alinhado ao seu posicionamento político.

‘Sou um homem público de direita e eu estava no partido errado. O PSD não é um partido de direita, é um partido de centro’, disse. João ressaltou que o eleitor o conhece como um político de direita, mas em um partido que não tinha a simpatia do eleitor catarinense.

João Rodrigues também avaliou que a eleição lhe trouxe ensinamentos, mas que não se arrepende. ‘Nós erramos. Nós devíamos ter construído uma aliança há três anos, quando Jair Bolsonaro me convidou para construir um projeto junto ao atual governador. Mas não me arrependo, a gente tem que avaliar e aprender com os erros’, disse.

Na sequência, ele disse que a ‘maior onda da política brasileira foi a desse ano’ e que não acreditava que seria assim. João ressaltou que o STF é o protagonista de ‘toda essa desgraça’ (em referência à polarização).

João Rodrigues foi questionado sobre as razões para que o candidato a presidente de seu partido, Ronaldo Caiado, não tenha emplacado como nome viável. Ele disse que o discurso de Caiado não caiu nas graças do povo e relembrou a pergunta que fiz a Flávio Bolsonaro em uma das vezes em que ele esteve em Santa Catarina.

‘O Flávio, por si só, por ser filho do Jair Bolsonaro, já veio nas graças do povo. Mas eu acho que o Flávio melhorou muito desde o lançamento da candidatura dele a presidente até o dia de hoje. Por exemplo, ele vem a Santa Catarina. Aí a pergunta é: quantos candidatos de direita Santa Catarina tem? Ele só tem um. É um erro, sabendo que tinha outros candidatos que apoiam ele e poderiam, como de fato eu não pedi nada, não liguei para ele, não cobrei, nem quero nada. Então, não preciso de nada, eu só preciso que ele ganhe porque o Brasil é melhor’, respondeu.

A direita e o apoio a Flávio Bolsonaro

Segundo ele, a decisão de apoiar o senador é uma continuidade de sua trajetória política, e não uma tentativa de se aproximar de um nome que ganhou força eleitoral. João contou que já havia declarado voto em Flávio no primeiro turno, mesmo quando ainda apoiava Ronaldo Caiado como alternativa presidencial. Segundo disse na entrevista, a decisão teve um custo eleitoral: pesquisas internas teriam apontado uma queda de cinco pontos percentuais em sua intenção de voto após a manifestação de apoio a Flávio.

A relação com Jorginho

Segundo João Rodrigues, a relação com o governador Jorginho Mello não sofreu abalos. Ele disse, ainda, que chegou a pedir que coligassem com Jorginho, mas que ‘o partido não quis’. O ex-prefeito disse também que telefonou para o governador reeleito para lhe desejar sucesso no mandato e que a vontade do povo deve ser respeitada.

O retorno

Sobre o futuro, João disse que pretende ser candidato novamente daqui a quatro anos, mas não especificou o cargo pretendido. Disse apenas que será pela direita e que pode ser no PSD, caso o partido se consolide à direita. Caso contrário, ele pode deixar a sigla.

‘Daqui a quatro anos a gente volta. A que condição? Ao que o povo assim desejar’, concluiu o ex-prefeito de Chapecó.

João Rodrigues foi candidato a governador pelo PSD e fez 569.263 votos. Ele teve como vice, Carlos Chiodini (MDB).

Assista a entrevista completa aqui: