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Pressionado pelo Novo, Zema recua sobre Flávio; composição com PSD é descartada

28/05/2026

Os recentes posicionamentos do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), estão dando o que falar. Isso porque algumas ações do pré-candidato a presidente podem ter sido mal calculadas. Pelo menos é isso que vem sendo dito nos bastidores desde que ele aumentou o tom das críticas a Flávio Bolsonaro. Além disso, a possibilidade de composição com Ronaldo Caiado (PSD) também pegou seu partido de surpresa.

Essa informação foi divulgada ontem pela jornalista Andrea Sadi e foi rechaçada internamente pelo Novo de Minas Gerais, que vê dificuldade em explicar o apoio da sigla a um partido que integra o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Outro ponto de divergência interna no partido é sobre as críticas de Zema a Flávio. Integrantes do Novo entendem que romper com o PL vai afetar a eleição de deputados federais. Portanto, a estratégia não ajuda o Novo a romper a cláusula de barreira, indicador que já não foi atingido em 2022. Assim, o foco principal do partido na eleição deste ano é justamente aumentar o número de federais para romper a cláusula e fortalecer a sigla.

O que é a cláusula de barreira

A cláusula de barreira, também chamada de cláusula de desempenho, estabelece um desempenho mínimo para que partidos tenham acesso ao fundo partidário e ao tempo gratuito de rádio e televisão. A regra foi criada na Reforma Política de 2017 e passou a valer gradualmente a partir das eleições de 2018.

Para superar a cláusula em 2026, os partidos precisarão atingir 2,5% dos votos válidos nacionais para deputado federal, distribuídos em pelo menos nove estados, com mínimo de 1,5% em cada um deles, ou eleger ao menos 13 deputados federais distribuídos em um terço das unidades da Federação. Ou seja, cada partido precisa eleger representantes em pelo menos nove estados do país. A partir de 2030, esse percentual sobe para 3%. Os partidos que não atingirem esses critérios continuam podendo existir e disputar eleições, mas perdem acesso a recursos e instrumentos considerados essenciais para sua sobrevivência política.

Zema muda o tom

Os diretórios estaduais, em sua maioria, discordam das recentes posturas de Romeu Zema justamente porque entendem que o Novo precisa aumentar a votação. Na avaliação de lideranças do Novo, ao romper com o pré-candidato que representa o bolsonarismo seria uma estratégia errada. Nos bastidores, é dito que os representantes estaduais do partido também pressionaram Zema para que ele desse alguns passos atrás.

A pressão funcionou e, nesta quarta-feira, o presidenciável publicou um vídeo dizendo que sua prioridade é tirar o PT do poder e que a direita estará no segundo turno. “Caso seja Flávio, Caiado ou qualquer outro, eles terão meu total apoio contra o PT”, disse no vídeo.

Além do recuo sinalizado na publicação, Zema deve substituir seu marqueteiro nos próximos dias, confidenciou uma fonte.