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Em Floripa Caiado critica polarização; Zema diz que a polêmica não atrapalha alianças estaduais e mantém críticas a caso Flávio/Vorcaro

18/05/2026

Os presidenciáveis Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) concederam entrevista coletiva na noite desta segunda-feira, em Florianópolis. Eles estão na capital catarinense porque foram palestrantes da primeira noite do Conexa 2026, evento promovido pela ACIF.

Caiado falou primeiro; Zema, depois. Ambos foram questionados sobre temas como os áudios entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, polarização e alianças partidárias.

Ronaldo Caiado

O ex-governador de Goiás chegou ao local da entrevista, no CentroSul, acompanhado por lideranças do PSD, entre elas, o pré-candidato a governador João Rodrigues e o ex-governador Jorge Bornhausen. Caiado foi questionado sobre como pretende se tornar viável na disputa presidencial enquanto o Brasil ainda vive a polarização entre direita e esquerda. Ele disse que pretende levar suas ideias para os debates e que a população brasileira precisa de luz.

“Eu acredito que a população não quer mais caminhar no escuro. A população brasileira procura luz, procura momento de desenvolvimento, momento de paz. Não se governa na guerra. Você não avança num clima de queda de braço, de campanha como se fosse revanche. Você governa com propostas, tanto é que eu cheguei a 88% de aprovação no meu governo. Eu governei com os 246 prefeitos que eu tenho, independentemente de qual sigla partidária fosse. Não distingui ninguém. Eu sou duro na campanha eleitoral, mas, no momento em que a pessoa ganha, eu sou um democrata, na essência. Eu respeito o resultado das urnas”.

Sobre a polarização, Ronaldo Caiado disse que isso não trouxe avanços para o país.

“O que isso produziu de positivo para o Brasil? Produziu perda de espaço no mercado internacional, perda na inteligência artificial, perda no ganho per capita, perda no avanço da ciência, da pesquisa e da educação. O que ganhou, então? Eu vou ficar discutindo o ‘8 de janeiro’ e dosimetria por quatro anos de governo? Em 20 anos de PT no governo, o que se desenvolveu no Brasil?”

Ciente de que um de seus principais desafios é se tornar conhecido pela população, o ex-governador de Goiás disse que quer ampliar sua visibilidade.

“Vocês estão me dando uma oportunidade única. Eu sou desconhecido por 53% da população brasileira. O meu jogo nunca foi de oportunismo. Meu jogo é um jogo de conteúdo. Meu jogo é um debate de conhecimento, de propostas. Esse é o meu jogo. Esse é o meu jogo político”.

Romeu Zema

Segundo na fila de entrevistados da noite, Romeu Zema (Novo) manteve o tom crítico à troca de áudios entre Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro. Ele disse que não se arrepende da declaração que deu no dia em que a informação foi divulgada, quando classificou o pedido de Flávio a Vorcaro como “imperdoável”.

Antes de prosseguir o texto, vale lembrar que, durante esta segunda-feira, Zema teve um encontro com lideranças de seu partido em Santa Catarina. Leia aqui. A fala do ex-governador de Minas Gerais provocou reações em parlamentares do PL, que consideraram que ele “soltou a mão” de Flávio rápido demais.

Aproveitei que Zema é defensor do pão de queijo mineiro e, na entrevista do início da noite, perguntei a ele o que seria mais imperdoável: ligar para Vorcaro ou pão de queijo ruim. Quebrado o clima inicial, o ex-governador reafirmou seu posicionamento crítico à conversa entre Flávio e o ex-dono do Master.

“Sobre esse fato, o que eu tenho a dizer é que fiquei indignado com essa situação. Eu moro há anos na mesma cidade do bandido banqueiro, que é Belo Horizonte. Nunca tive uma reunião, nunca tive um compromisso com esse senhor. Nem o tenho na minha agenda. E foi dito para nós, do Partido Novo, que nos aliamos ao PL no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, no Paraná e também em Goiás, que o pré-candidato à Presidência do PL não havia tido nenhum contato, não havia tido nenhum tipo de relacionamento com o banqueiro bandido. E nós somos surpreendidos. E, quando você é surpreendido dessa forma, você fica indignado. E essa foi a minha reação. Sou o único pré-candidato que não tem o rabo preso com ninguém”.

Upiara Boschi, editor-chefe do Portal Upiara perguntou a ele se a polêmica da última semana poderia interferir nas alianças estaduais entre PL e Novo, a exemplo de Santa Catarina.

“Não será afetado. Nós temos de lembrar que as alianças são feitas no município, são feitas no estado e são feitas em nível nacional. O que existe no Rio Grande do Sul foi feito pelos gaúchos; o que existe aqui em Santa Catarina foi feito aqui no estado. O que aconteceu é que eu, que sou candidato à Presidência, me posicionei a respeito do meu concorrente à Presidência também, e isso não afeta em nada. Nós temos aliança no Paraná e lá pouco se falou; em Goiás, nem se falou sobre isso. Então, são pessoas que estão querendo desvirtuar o problema. O Adriano foi um excelente prefeito em Joinville e tem todas as condições de ser um vice-governador, como já foi feito. Lembrando que nós temos partidos fisiológicos no Brasil que, aqui no Sul, se alinham ao PL; lá no Norte e Nordeste, se alinham ao PT. Total falta de coerência. E o Novo não faz isso de forma alguma”.

Flávio ligou para Zema
Romeu Zema também revelou que, na noite de quinta-feira da última semana, Flávio Bolsonaro telefonou para ele, mas, como estava em viagem de avião, não atendeu. Ao pousar, disse que retornou a ligação, Flávio não atendeu, e ele deixou um recado na caixa postal do pré-candidato do PL, dizendo que estava “à disposição”. Desde então, não houve novas tentativas de contato entre eles.

Aceno a Flávio?
“Eu quero dizer aqui que qualquer candidato que estiver no segundo turno contra o PT eu estarei junto. Em 2022, eu trabalhei para Jair Bolsonaro em Minas, e fiz isso porque sou antipetê. Meu orgulho é nunca ter votado no PT. Se tivesse um candidato muito contra o PT, eu o apoiaria, porque ele não seria tão ruim quanto o PT”.

O senhor se arrependeu do seu posicionamento?, perguntou um colega jornalista na entrevista.
De jeito nenhum. Continuo indignado”.

Os vídeos com as principais declarações dos presidenciáveis podem ser vistos no Instagram, em @magastopassoli. Foto: Maga.