O catarinaverso da política tem algumas perguntas ainda sem respostas nessa eleição. Entre elas, o número de deputados federais que o PSD vai eleger no dia 4 de outubro. São as dúvidas que a urna vai responder. Se o número de eleitos do partido ainda é uma incógnita, há uma certeza incontestável: na próxima legislatura, o deputado-presidente, Júlio César Garcia, não estará mais na Assembleia Legislativa.

Júlio César é candidato a deputado federal. Ainda na pré-campanha, a candidatura do líder pessedista chegou a levantar dúvidas, já que era consenso a ideia de que ‘Júlio não gostaria de ficar longe da Alesc’, sugerindo que ele pudesse declinar e concorrer a estadual.
Ele nunca deu sinais de que recuaria de fato. Talvez sua presença no parlamento catarinense fosse tão evidente que parecia um pouco improvável adentrar o prédio da casa do povo e saber que não veremos mais Don Júlio cruzar o tapete vermelho, de cabelo impecável, a bordo de seu Sauvage, da Dior.
Voltemos à ideia inicial desse texto.
Eleito ou não no dia 4, o fato é que ele não estará mais na Alesc no próximo ano. É nesse cenário que surgem outras perguntas.
Como será a Alesc sem JG? Quem será o seu ‘substituto’ na articulação no Parlamento?
Marcos Vieira, candidato à reeleição para seu 6º mandato, poderá ocupar o espaço do articulador Júlio? Marcos Vieira seguirá presidindo a Comissão de Orçamento, função que ocupa há 16 anos?
Fiz o link com o deputado tucano, pois, entre os que compõem o atual parlamento catarinense, Júlio e ele são os que têm mais idade, com 76 e 73 anos, respectivamente. Apenas 14 deputados estaduais catarinenses têm 60 anos ou mais. Nesse contexto, Marcos seria o ‘sucessor’ de Júlio, se a idade e a experiência no parlamento fossem os requisitos?

Essas perguntas também ainda não foram respondidas, mas já começam a circular entre os nobres. Enquanto isso, Marcos Vieira busca sua reeleição, ainda pelo PSDB. Cheguei a questionar recentemente uma pessoa próxima ao deputado se ele vai mudar de partido após a eleição. Isso eu também te conto num próximo texto.
O Império de Júlio César
Júlio está em seu 7º mandato de deputado estadual, numa trajetória que iniciou em 1991. Entre todos os mandatos, foi presidente da Alesc quatro vezes. Nenhum outro deputado ocupou a função tantas vezes. Seu perfil de gestão inclui ‘dar espaço’ a todos os grupos políticos, fazendo com que os deputados se sintam contemplados, mantendo o ar de harmonia da Casa.

Júlio e Little Jorge
Embora estejam em projetos políticos diferentes nessa eleição, Jorginho Mello e Júlio Garcia mantiveram uma relação boa o suficiente para que o governo aprovasse tudo que mandou para a Alesc, como o próprio governador gosta de ressaltar. Isso está longe de significar submissão do Legislativo. Eram dois líderes políticos da atualidade, fazendo política.
É bem verdade que a política é feita de fato, de clima e de memória. Porém, em muitos momentos, se recorreu a líderes que já partiram desse plano para exemplificar capacidade de articulação e se esqueceu de observar quem estava ‘em campo’, fazendo política e articulando, caso dos dois citados neste parágrafo.
E, já que as cadeiras do poder nunca ficam vagas, a coluna conversou com parlamentares para saber qual é a expectativa entre os deputados sobre o novo momento da Alesc, sem don Júlio.
Notei que há um sentimento em comum no parlamento sobre o futuro.
‘Será uma fase de organização de grupos de poder’, disse um.
‘Acredito que a Alesc vai ter uma gestão mais coletiva’, disse outro.
‘O poder vai ser mais dividido, menos concentrado’, argumentou ainda outra liderança.
Sem Júlio César, 2027 inaugura um novo momento político na Assembleia Legislativa. Como o poder será distribuído ainda é uma pergunta a ser respondida. Fica a certeza de que o tapete vermelho buscará novos protagonistas.
