Militantes, apoiadores e candidatos dos partidos que integram o projeto da esquerda em Santa Catarina nesta eleição lotaram o auditório Antonieta de Barros, o plenário e o hall da Assembleia Legislativa do Estado. A mobilização, na noite desta terça-feira, foi para prestigiar a convenção dos partidos e ver serem oficializadas as chapas majoritárias e proporcionais na disputa deste ano.
A chapa para o governo do Estado ficou assim:
Gelson Merisio (PSB) foi oficialmente confirmado como candidato a governador, tendo Angela Albino (PDT) como candidata ao cargo de vice-governadora. Para o Senado, Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (PSOL) completam a chapa majoritária. Elaine Huber (PDT) e Fernanda Klitzke (PT) serão as suplentes de Décio Lima. Já Luci Choinacki (PT) e Aparecida da Silva (PT) serão as suplentes de Afrânio Boppré.
Edinho Silva, presidente nacional do PT, e Paula Coradi, presidenta nacional do PSOL, participaram do evento e discursaram, destacando a importância da união do Campo Democrático em Santa Catarina para a reeleição do presidente Lula já no primeiro turno.
O que disse Merísio
Durante o discurso de homologação da chapa, Gelson Merisio falou sobre o desafio de liderar o projeto de esquerda no Estado.
‘Precisamos recuperar Santa Catarina das garras dos extremistas, recuperar os bons indicadores, pois hoje o que temos é um estado que vive de propaganda, enquanto a nossa educação e a nossa saúde apresentam números vergonhosos. Temos um dos piores salários para professores do país, menos policiais nas ruas do que tínhamos há dez anos e uma taxa de feminicídio com números alarmantes. Outro desafio é recuperar a nossa imagem, que hoje não reflete a verdade do nosso povo. Somos honestos, trabalhadores e sabemos receber as pessoas, mas o discurso de ódio da extrema direita catarinense cria essa imagem que nos envergonha e que precisamos mudar.’
Como já havia dito em outras oportunidades, Merísio ressaltou que ‘está em casa’ nessa candidatura e agradeceu a militância petista pelo apoio recebido. Ele também criticou as candidaturas de dois filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro em Santa Catarina. Ele se refere a Jair Renan Bolsonaro e Carlos Bolsonaro, respectivamente, vereador em Balneário Camboriú e candidato a deputado federal, e o segundo, candidato ao Senado. Gelson Merísio disse que ‘foram buscar migrantes (em referência à origem dos dois citados, que é o estado do Rio de Janeiro), não para buscar futuro ou trabalho. Se escoraram no nosso estado’, disse.
Merísio defende o fim da escala 6×1
Perguntei ao candidato se ele estava impressionado com a militância petista, elogiada por ele minutos antes.
— O sr. está impressionado com esse movimento da esquerda aqui hoje? — perguntei.
‘Não, estou muito à vontade. Historicamente, eu sempre defendi que governo existe para cuidar dos pobres. Eu acho um absurdo Santa Catarina ainda ter 300 mil pessoas na pobreza extrema, isso não é concebível. Sou 100% a favor do fim da escala 6×1, antes mesmo de ser candidato a governador. É uma evolução natural da sociedade.’
Luci critica Amin
Antes de Merísio, quem falou foi a ex-deputada Luci Choinacki, suplente de Décio. Ela agradeceu por Merísio tê-la procurado em sua casa para ser candidata. ‘Eu renasci’, declarou.
Luci exaltou os nomes da chapa que integra e fez críticas ao governador Jorginho Mello e também ao senador Esperidião Amin (PP). ‘O careca que quer voltar, que diz ser bolsonarista, ele tá perdido. Temos que deixar ele aposentado. Deu pra ele’, disse a candidata ao defender a eleição de Décio e Afrânio ao Senado.
Angela Albino
Já Angela Albino lembrou da luta das mulheres que ajudou a tornar Santa Catarina um estado forte:
‘Essa candidatura pertence também às mulheres que abriram caminhos quando não podiam nem mesmo escolher os próprios destinos. Àquelas que enfrentaram preconceito para trabalhar, votar, estudar e assumir papéis de liderança.’
Veja a lista completa dos candidatos homologados, aqui.

Nota da autora
É nítido que o Diabo Loiro está à vontade em meio à militância dos partidos de esquerda, terreno que nem é tão novo assim para ele. Em 2022, Merísio foi coordenador da campanha de Décio Lima (PT) ao governo. Portanto, colocá-lo no campo da direita, em 2026, é pauta antiga. À vontade e cumprindo uma missão dada por Lula, o galego, de sapato Prada, está muito de olho no segundo turno. Ao seu lado, Angela Albino. A ex-deputada não ocupa um lugar figurativo como candidata a vice, o que mostra que Merísio não tem medo de perder ou dividir o protagonismo com uma mulher do nível de Angela, que preenche o espaço.
Aqui, um registro para a história: ao me cumprimentar pela primeira vez, na noite de ontem, já que nunca havíamos conversado, Angela disse:
‘Maga, o ambiente político é masculino. Imagino que o jornalismo político também seja. Por isso, quero te desejar sempre boa sorte.’
Obrigada, candidata. Ambos são ambientes estatística e massivamente ocupados por homens e, sempre que encontramos pessoas gentis pelo caminho – e eu as tenho encontrado, em diversos campos políticos -, a gente sorri e segue, sem cogitar desistir.