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Coluna da Maga: deputado compara Jorginho a Luiz Henrique; governador diz que quer “o MDB inteiro”

28/04/2026

A noite desta segunda-feira, é mais um capítulo na história recente do MDB-SC, disputado por dois pré-candidatos ao governo. O partido reuniu 54 prefeitos, além de vices, deputados e lideranças, no hotel Majestic, na capital.

É que, se tem uma coisa que se pode ter certeza na política de Santa Catarina é que, a cada quatro anos, o MDB faz valer o codinome “manda brasa” e incendeia a corrida eleitoral. Não sou eu que estou dizendo, são os fatos.

Recentemente, em 2022, foi a histórica convenção que definiu entre ser vice de Moisés, com Udo Döhler, ou ter candidatura própria, com Antídio Lunelli, que agitou aquela eleição. Na disputa interna, venceu a primeira opção, mas ela não teve o mesmo sucesso nas urnas. A chapa que tinha o MDB de vice ficou em terceiro lugar.

Corta para 2026.
Os personagens e o roteiro são diferentes, mas a divisão interna do partido segue vivíssima, provando que, em Santa Catarina, dificilmente morreremos de tédio.

Enquanto não há consenso absoluto sobre em qual projeto estarão embarcados, as duas alas do partido seguem articulando e tentando, à sua maneira, fazer prevalecer sua narrativa. Se, de um lado, Carlos Chiodini, presidente estadual do partido, anunciou apoio à pré-candidatura de João Rodrigues (PSD), de outro, emedebistas se mobilizam para garantir apoio à reeleição de Jorginho.

“Não somos dissidentes”, disse o deputado federal Valdir Cobalchini, defensor do apoio a Jorginho, se antecipando aos argumentos da outra ala do partido. “Também não somos rebeldes. Apenas temos nossa opinião”, destacou.

Comparação com Luiz Henrique

O deputado federal foi além e comparou Jorginho Mello a Luiz Henrique da Silveira, a lenda do partido, idolatrado até hoje pelos emedebistas, que morreu em 2015.
“Jorginho é discípulo de Luiz Henrique. Olho e vejo Luiz Henrique”, disse, empolgado.

Fernando Krelling, deputado estadual e vice-presidente da Assembleia Legislativa, afirmou que “eu não teria cara de fazer o discurso que eu fiz nesses três anos e meio e chegar agora e dizer que não estaríamos com o senhor, governador. O MDB precisa ter responsabilidade e coerência”.

Além dos já citados, também estavam na mesa de autoridades a senadora Ivete da Silveira, Antídio Lunelli, Emerson Stein, Jerry Comper, Mauro Mariani e o prefeito de Quilombo, Jaksom Castelli, idealizador do evento. Ao lado de dona Ivete, Jorginho Mello.

Ambos trocaram elogios públicos, relembrando a chapa que disputou a eleição ao Senado em 2018, quando Ivete foi primeira suplente do então senador eleito Jorginho Mello. Ela assumiu efetivamente quando o atual governador deixou o mandato para disputar o governo do Estado, em 2022.

A senadora Ivete é figura emblemática no cenário político de Santa Catarina pela simbologia. Viúva de Luiz Henrique, ela é apoiadora da reeleição do atual governador.
“Prefeitos, vices e vereadores, a vitória de Jorginho Mello no dia 6 depende muito de vocês. É lá na cidade que ele tá fazendo tanto por vocês.”

Antídio Lunelli, deputado estadual e nome forte do partido, cotado também como uma das opções para ser vice de João Rodrigues, fez um discurso breve, relembrou ter sido filiado ao MDB por Luiz Henrique da Silveira e que “sempre foi de direita”.
“Lealdade às pessoas e fidelidade a princípios. Austero, trabalhador e eficiente. Deus, pátria, família e liberdade. Esse é o nosso governador e é onde eu me identifico”, disse.

Deputado critica ex-governador

Emerson Stein, pré-candidato à reeleição para deputado estadual, relembrou o período em que foi prefeito de Porto Belo, na gestão passada, quando Carlos Moisés era governador.

Emerson ressuscitou o “Plano 1000”, projeto que anunciava o repasse de mil reais por pessoa, de cada cidade, para a realização de obras estruturantes nos municípios. O deputado disse que, na época, fez as contas e ficou otimista com o valor que sua cidade receberia, algo em torno de R$ 20 milhões, valores que nunca foram repassados, segundo ele.
“Apresentamos projeto e não recebemos nem mil, quanto mais 20 milhões”, alfinetou. Emerson emendou dizendo que o “Santa Catarina Levada a Sério”, programa lançado na gestão de Jorginho Mello, já repassou em torno de R$ 30 milhões para a cidade.

O que disse Jorginho

Jorginho Mello foi o último a discursar e disse que “quer o MDB inteiro”. O governador também relatou que se reuniu com Carlos Chiodini no fim de semana e que, quando o parlamentar retornar de Brasília, no fim desta semana, vão se reunir novamente. “Eu tenho pelo Carlos Chiodini muito carinho, eu tô preocupado, quero tá do lado dele. Eu sei da importância que tem o MDB, o Carlinhos. Eu quero o MDB inteiro, acreditem nisso”, disse.

Carol no encontro

Ao final do evento, Carol de Toni passou pelo local. Enquanto falava, Jorginho convidou a deputada federal e pré-candidata ao Senado para sentar à mesa de autoridades. Ela prontamente aceitou o convite e sentou ao lado de Ivete e Fernando Krelling.

Saldo do evento

Eu sei que, além do relato da noite de ontem, você quer saber o saldo do encontro. Talvez nem o próprio MDB consiga ter certeza absoluta de seu destino na eleição que se aproxima. Ainda que a vaga de vice de João Rodrigues esteja, em princípio, destinada ao 15, o partido continuará dividido. “Vai o CNPJ, ficam os CPF’s”, disse um dos presentes no evento. Outra liderança ouvida pela coluna, defensora do apoio a João, disse que o partido sempre está no governo.

“Não sei quem será o próximo governador, mas é certo que o MDB estará no governo. De 1998 pra cá, vencemos eleição e perdemos eleição, mas nunca saímos do governo. Se Jorginho vencer, estaremos no governo. Se João vencer, estaremos no governo e ainda teremos um vice”, alertou.

Esse é o clima no partido. Enquanto não houver uma definição oficial, o assunto seguirá rendendo narrativas para todos os gostos. Mas, independentemente de qual canoa o MDB escolher, seja com João ou com Jorginho, dificilmente irá inteiro. A tendência é que a divisão permaneça e o partido siga rachado na disputa de 2026.

MDB reúne 54 prefeitos, dos 70 eleitos, em ato de apoio à reeleição de Jorginho, na noite desta segunda-feira, na capital. Foto: Maga Stopassoli.