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Coluna da Maga: a pressão do bolsonarismo ratatá sobre Carol de Toni para garantir a eleição de Carlos

02/04/2026

A divulgação do resultado de uma pesquisa de intenção de votos, nesta quarta-feira, antecipou um movimento que já era previsto no mundo da política: a pressão da milícia digital bolsonarista sobre Carol de Toni, pré-candidata ao Senado. Ela cometeu um ato gravíssimo, pela ótica do bolsonarismo ratatá: está liderando a corrida, com quase o dobro de votos de Carlos Bolsonaro, o filho mais especial de Jair Bolsonaro. Os números divulgados apontaram que Carol teria mais de 30% dos votos, enquanto Carlos aparece com 19% e Esperidião Amin, com 17% (cenário que considera o primeiro voto, na escolha entre dois). Ainda que a pesquisa tenha levantado questionamentos com relação à compilação dos dados apurados em Joinville, a maior cidade do estado, os números que ela trouxe incendiaram o bolsonarismo, em especial os núcleos baseados fora de Santa Catarina, que parecem ainda não ter entendido que a lógica deles não funciona por aqui. Antes de seguir, é necessário traduzir o termo bolsonarismo ratatá: é a parcela pequena e barulhenta de eleitores de Jair Bolsonaro que não tem apreço pela razão ou pela lógica e que prefere resolver as coisas à moda 2018: acabando com a reputação “dos seus”, em praça pública. Tudo, claro, em defesa dos interesses da royal family. Ou melhor, dos filhos de Jair.

Desde ontem, os ativistas digitais do movimento citado acima já receberam o comando (não se sabe de quem) para iniciar a guerra virtual contra Carol de Toni, principal adversária de Carlos Bolsonaro na eleição de Santa Catarina. É isso mesmo que você leu. Eles não são aliados, nem são uma “chapa”. Eles são adversários de primeira hora. Funciona assim: a eleição para o Senado, neste ano, tem duas vagas destinadas a Santa Catarina. Isso significa que o estado vai eleger dois senadores, independentemente do partido. Cada chapa majoritária de candidato a governador poderá registrar dois candidatos ao Senado, mas a disputa é individual. Embora estejam “no mesmo” projeto, cada um luta pelos seus votos. E é aqui que o caldo vai entornar.

No fim do ano passado, quando Carol de Toni quase saiu do PL, Flávio Bolsonaro, pré-candidato a presidente, entrou em campo e segurou a deputada no partido. Isso não aconteceu por consideração pelo trabalho da parlamentar e, sim, porque a família real entendeu que Amin não andaria com Carlos a tiracolo no estado, pedindo voto (porque, como eu disse antes, é uma eleição solitária). Se Amin não faria isso, então restava garantir que Carol ficasse no partido e, com isso, fosse a pessoa a ajudar a alavancar a candidatura do filho de Jair. Não foi apoio a Carol, foi estratégia eleitoral para tentar garantir a eleição de Carlos.

Lembra quando eu disse que a lógica bolsonarista do restante do país não se aplica integralmente em Santa Catarina? É que, fora do nosso estado, talvez a estratégia de ser apenas filho de Jair fosse o suficiente. Mas aqui, pelo andar da carruagem, não funcionou. Os catarinenses não receberam a candidatura do irmão de Flávio com naturalidade e, ainda que muitos tenham medo de dizer isso publicamente, a candidatura do carioca é vista com estranheza por aqui. Mesmo que “andem juntos” pelo estado, em pré-campanha, Carol não tem como garantir que o seu eleitor vá votar nela e em Carlos. O risco de não ser eleito fez com que alguém acordasse a milícia digital para gritar aos quatro ventos que, “na Austrália”, Carol, personagem central da história, é a nova “inimiga” do clã. A própria Carol de Toni talvez ainda não tenha se dado conta de que ela e Carlos são os principais adversários nesta eleição, pelo menos pela ótica dos movimentos mais recentes na internet.

O erro de ter vida própria na política catarinense é imperdoável para quem não sobrevive para além do bolsonarismo.

Fazendo uma visita aos fatos recentes da política catarinense, encerro esse texto refazendo a fatídica pergunta da deputada Ana Campagnolo, quando falou publicamente sobre o acordo nacional entre PP e PL e que tiraria, portanto, a vaga de Carol ao Senado, e pergunto:

— Quem vai ter coragem de avisar Carol que ela vai precisar abrir mão da disputa para que o filho de Jair não corra o risco de não se eleger?
Será o próprio Flávio o encarregado dessa missão?

Print de tela mostra o bolsonarismo ratáta iniciando o movimento de pressão para que Carol de Toni ajude a garantir a eleição em risco de Carlos Bolsonaro. De onde saiu esse, tem mais.