Slide anterior
Próximo slide

Bolsonarismo dividido? A disputa do ano que vem antecipa movimentos em Santa Catarina

14/07/2025

Articulações, disputas internas e o impasse do bolsonarismo em SC mostram que a eleição de 2026 já começou

Jorginho Mello e Jair Bolsonaro, durante evento conservador em Santa Catarina. Foto: Eduardo Valente/Secom.

Faltam 449 dias para as eleições do ano que vem, mas, na prática, 2026 já começou. Além da movimentação no Palácio Barriga Verde para saber quais parlamentares irão à reeleição, quais prefeitos serão candidatos a deputados e quais partidos estarão com quem, uma outra disputa ocorre em paralelo. E essa é a grande dúvida que paira sobre o céu nesse momento: como o bolsonarismo irá se organizar em solo catarinense, diante de todos os acontecimentos recentes?

Se estivéssemos falando de futebol, poderíamos dizer que essa é a fase classificatória para 2026. Como no esporte, vence não quem tem apenas o melhor time em campo, mas quem também tem o melhor comando e sabe resistir aos percalços do caminho. E olha que, por aqui, os percalços são muitos.

O bolsonarismo catarinense, por exemplo, vive uma literal sinuca de bico, tentando se organizar para acatar Carlos Bolsonaro candidato ao Senado por Santa Catarina, se essa for a ordem do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nos bastidores, quando desligam os microfones, os bolsonaristas torcem para que um milagre de São Valdemar (da Costa Neto, presidente nacional do PL) possa convencer Jair de que essa é uma ideia que pode fragmentar os apoiadores aqui no estado, provocando um enfraquecimento eleitoral do partido. O receio bolsonarista faz sentido.

Vale lembrar que Santa Catarina é a terra mais fiel ao bolsonarismo em todo o Brasil. Tem base consolidada, forte presença evangélica, economia liberal e um eleitorado que premia a antipolítica. Em nenhum outro lugar, o bolsonarismo raiz tem tantos votos com tão pouca resistência. Essa é a primeira vez que os apoiadores de Jair Bolsonaro questionam suas investidas.

O bolsonarismo e a disputa pelo governo do estado

Na disputa pelo governo do estado, de um lado, está o atual governador, Jorginho Mello, do mesmo partido do ex-presidente, é pré-candidato à reeleição e conta com o apoio de Jair. Jorginho vai buscar renovar o contrato de moradia no Palácio da Agronômica por mais quatro anos. Só que ele não está sozinho nessa busca.

Se Carlos for mesmo candidato em Santa Catarina no ano que vem, a quem isso beneficiaria? Jorginho ou João?

As possibilidades de leitura desse cenário são múltiplas. Há quem diga que, se essa estratégia vingar, Bolsonaro mergulhe ainda mais na campanha de Jorginho. Ou poderia fazer com que eleitores do PL, insatisfeitos com essa imposição, migrassem o voto para João, o principal opositor do atual governador. E essa é só uma das grandes questões da humanidade que embalam a eleição de 2026 em terras catarinas.

E como ficam os partidos?

Entre os partidos, não é diferente. Peguemos o exemplo da federação de União Brasil e Progressistas, que virou União Progressista e passou, naturalmente, a decidir em conjunto sobre os próximos passos dos partidos. Antes do casamento das siglas, o PP estava com os dois pés no barco de Jorginho. Com a chegada do União, sob o comando do deputado federal Fábio Schiochett, ficou a impressão de que a decisão sobre quem apoiarão foi empurrada para frente.

O MDB, por hora, não discute mudança de rumo. Seguem fazendo parte do governo Jorginho e devem manter o apoio, que vai auxiliar na reestruturação (necessária) no partido. O Republicanos, por sua vez, deverá funcionar como uma espécie de extensão do PL, não só pelas questões ideológicas em comum, mas, também, porque não vai caber todo mundo no Partido Liberal.

O corre-corre inclui ainda os interessados de primeira hora em outras vagas tão estratégicas quanto a composição majoritária para o estado: os pré-candidatos ao Senado. Para essa função, Santa Catarina terá duas vagas, ou seja, vai eleger dois senadores. É aí que nós voltamos ao terceiro parágrafo desse texto, porque o cenário com Carlos Bolsonaro é um. Sem ele, é outro.

No meio disso tudo, há ainda a dúvida sobre o futuro de Jair Bolsonaro, denunciado pela Procuradoria-Geral da República por tentativa de golpe militar após as eleições de 2022. Mas não se pode esquecer que o apoio do ex-presidente para a escolha de quem será o nome da direita para concorrer à Presidência será crucial.