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#AnaCampagnoloDay: 4 de outubro traz respostas dos eleitores após embate com os Bolsonaros

07/10/2026

Desde que Ana Campagnolo deu os primeiros sinais de que sua trajetória política não dependeria mais exclusivamente do bolsonarismo, eu passei a observá-la com mais atenção. Brinco nos bastidores que me tornei setorista da Campagnolo. Setorista é o jornalista que se dedica a acompanhar de perto o dia a dia de um tema ou instituição. Esse acompanhamento ficou mais intenso mais ou menos desde a metade do ano passado para cá. Mal sabia eu que o rabo do foguete não era apenas o descolamento da parlamentar da ala menos habituada ao diálogo da direita. Poucos meses depois de ter escrito esse texto, ela protagonizaria seu principal embate até hoje: o enfrentamento público com Carlos Bolsonaro.

Em outubro do ano passado, quando trouxe à tona, durante uma entrevista, que havia um acordo nacional entre PP e PL e que, com a vinda de Carlos Bolsonaro para concorrer a senador por Santa Catarina, Carol de Toni ‘perderia’ a vaga na chapa de Jorginho, Ana Campagnolo sabia o tamanho da briga que estava comprando.

Nos meses seguintes, uma dúvida passou a integrar as conversas políticas: o enfrentamento de Ana Campagnolo a Carlos Bolsonaro tiraria votos da deputada? A resposta só seria conhecida no dia da eleição.

O dia 4 de outubro respondeu a essa pergunta e agora poderá ser rebatizado para #AnaCampagnoloDay, pois a deputada estadual que se candidatou à reeleição para seu último mandato na Alesc dobrou sua votação. Em 2022, já havia somado impressionantes 196 mil votos e, nesta eleição, mobilizou 387.523 catarinenses a saírem de suas casas para votar nela. Sozinha, fez mais votos que as bancadas do MDB, PP, PSD, União Brasil, Republicanos, Podemos, PDT, PSOL e Novo.

Ana Campagnolo e seus quase 400 mil votos. Foto: Daniel Conzi/AgênciaAL.

Não é possível relacionar o resultado à desavença com Carlos. Mas é possível dizer que, mesmo com o embate público entre eles, ela não apenas não perdeu votos, como dobrou sua votação, em comparação à 2022.

Vale lembrar que o enfrentamento à família Bolsonaro não se limitou à vinda de Carlos para disputar a eleição em Santa Catarina. Esse episódio provocou desdobramentos até dias antes da eleição, quando Ana foi filmada saindo de cena durante a gravação de um vídeo que citava Carlos.

O fato, inclusive, resultou em um vídeo gravado por Flávio Bolsonaro, candidato a presidente e irmão de Carlos, em que dizia que, ou ela gravava um vídeo em apoio a seu irmão candidato ao Senado, ou ele não autorizava que ela usasse mais as imagens de Flávio em suas redes sociais. A deputada não respondeu ao presidenciável, mas, desde então, nunca mais citou Flávio em suas redes sociais.

Com dois milhões e 600 mil seguidores apenas no Instagram, Ana mobiliza uma legião de apoiadores que se identificam com suas ideias. Em seu material de campanha, ela não fala sobre propostas, apenas sobre aquilo em que acredita.

Nos bastidores, uma das leituras sobre o recorde de votos da parlamentar conservadora que enfrenta os Bolsonaros é que ‘o eleitor vota por emoção e por significado’.

‘Mais do que promessas de campanha ou propostas, o eleitor busca cada vez mais votar em candidatos com os quais se identifica ideologicamente, já que saúde, educação, infraestrutura não são mais do que a obrigação do poder público. Com isso, o eleitor entende que seu voto precisa significar algo para ele, pessoalmente’, disse uma fonte ouvida pela coluna nessa terça-feira.

Em seu terceiro (e último) mandato na Alesc e com a votação histórica, pouco lembra a deputada eleita em 2018, no quesito postura. Habilidosa na articulação de seus projetos, estratégica na busca de seus objetivos na política e corajosa na escolha de quais guerras quer lutar.

E coragem, pelo que se viu no último domingo, é importante entre as características de um político. Pelo menos foi o que 387.523 eleitores disseram.

Foto: Gustavo Willamil/Alesc.