Desde a primeira eleição direta para presidente, em 1989, os debates políticos seguem a mesma fórmula. Tempo dividido por blocos, temas previamente definidos, ordem de quem fala primeiro, escolhida por sorteio. É assim que os candidatos se apresentam ao eleitor, há mais de 30 anos.
Nesse período o mundo passou por uma revolução digital, a internet reorganizou a forma como consumimos informação, a inteligência artificial alterou mercados, a globalização encurtou distâncias e até a educação precisou se render à conectividade diária. O comportamento humano mudou. A atenção do público migrou. Mas o debate político parece ter parado no tempo.
Fiz esse preâmbulo para perguntar ao leitor: em pleno 2026, esse modelo de debate ainda faz sentido para o eleitor?

É exaustivo dedicar duas horas para assistir a um roteiro previsível de trocas de farpas e acusações ensaiadas. Na prática, o formato tradicional deixou de servir ao eleitor e passou a alimentar dois grupos: os jornalistas que cobrem o assunto e as equipes de marketing, sempre prontas para extrair os melhores ‘cortes’ para alimentar suas bolhas nas redes sociais.
Esse modelo fica ainda mais questionável quando confrontado com a realidade. Um debate mobiliza estruturas caras e uma logística impecável para que a transmissão seja realizada. Porém, basta a ausência do candidato que lidera as pesquisas, como ocorreu no debate desta terça-feira, quando Jorginho Mello cancelou sua participação no debate, para que o evento se esvazie. Sem o contraponto principal, o debate virou um monólogo de críticas cruzadas entre Gelson Merísio, João Rodrigues e Ralf Zimmer e deixou a desejar no quesito propostas efetivas aos catarinenses, para além de promessas soltas.

A ausência de um nome foi suficiente para trazer à tona novamente o questionamento sobre se esse modelo ainda é válido. Talvez o problema não seja apenas quem falta ao debate, mas o próprio formato, que depende excessivamente do embate pessoal em vez de focar no confronto direto de projetos de governo.
O eleitor vem dando sinais de que busca novas formas de conhecer o candidato em quem pretende votar. Resta saber se será possível readequar e salvar esse formato ou se veremos debates cada vez mais esvaziados.
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