Esta terça-feira, dia 15 de setembro, ficará marcada na história do Judiciário brasileiro como o dia em que a Suprema Corte se reuniu para analisar a conduta de um de seus integrantes e decidir se ele será formalmente investigado ou não. Trata-se de Alexandre de Moraes, cujo nome consta no relatório da Polícia Federal como alguém que mantinha contatos com Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master. O material, que teve seu conteúdo vazado, motivou a maior crise já vista no STF.
Mas não foi apenas Moraes que teve seu nome citado no vasto relatório da PF. Outros ministros da Suprema Corte também tiveram seus nomes citados nos diálogos obtidos pelos investigadores.
A Corte
Atualmente, dez ministros integram a Corte, já que a cadeira de Luiz Roberto Barroso ainda está vaga. São eles: Edson Fachin (presidente), Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Luiz Fux, Alexandre de Moraes, Kassio Nunes Marques, André Mendonça, Cristiano Zanin e Flávio Dino.
Veja a situação de cada um, até o momento:
Cármen Lúcia: até o momento, ela é uma das ministras que não aparece citada no relatório da PF em relação a Vorcaro. Nos documentos apresentados, não há, nas informações levantadas, registro de relação pessoal, comercial ou familiar entre a ministra e o banqueiro.
Edson Fachin: também não há, até o momento, vínculo pessoal ou comercial identificado entre Fachin e Vorcaro. O ministro, entretanto, passou a ter um papel importante na condução institucional do caso. Fachin assumiu a relatoria da investigação relacionada à relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, depois de André Mendonça deixar a condução dessa parte do caso.
Flávio Dino: também não aparece citado no relatório da PF por uma relação pessoal ou comercial com Vorcaro. Recentemente, apontou novas conexões envolvendo André Mendonça e Vorcaro e encaminhou a questão para Fachin.
Cristiano Zanin: é outro ministro que não aparece, até o momento, relacionado pessoal ou comercialmente a Daniel Vorcaro no relatório da PF. Recentemente, pediu acesso integral ao celular do banqueiro para análise do caso Master.
Gilmar Mendes: completa a lista dos cinco ministros que não foram citados no relatório da PF por ter alguma relação pessoal ou comercial com Vorcaro.
E os demais ministros?
Alexandre de Moraes é o nome que aparece no centro da crise, diante de mensagens e contatos com Vorcaro e da relação entre o Banco Master e o escritório de sua esposa. Moraes nega qualquer irregularidade. Mensagens diretas com Vorcaro, encontros e a relação entre o Banco Master e o escritório da esposa do ministro embasam a polêmica. Alexandre de Moraes diz que é ‘alvo de uma perseguição política’.
Dias Toffoli também aparece diretamente relacionado ao caso, segundo o relatório apresentado. O ministro foi relator da investigação sobre o Master e passou a ser alvo de questionamentos envolvendo relações com Vorcaro e negócios ligados a familiares. Posteriormente, deixou a relatoria.
André Mendonça, por sua vez, foi relator do caso Master e teve contato direto com Vorcaro, segundo informações divulgadas até o momento. A relação passou a ser questionada no curso das investigações, e Fachin assumiu a parte da apuração relacionada a Moraes e ao banqueiro. Conforme os diálogos divulgados no relatório, ele recebeu Vorcaro pessoalmente em 2025 e tornou-se relator do caso Master. Edson Fachin retirou Mendonça da relatoria do caso envolvendo Moraes e assumiu essa parte.
Já Kassio Nunes Marques e Luiz Fux aparecem em outro contexto. Os dois foram mencionados em versões anteriores da proposta de delação de Vorcaro por relações envolvendo seus filhos. Essas referências, porém, foram retiradas da versão final da proposta. Não há, segundo as informações divulgadas até o momento, acusação de crime ou favorecimento direto dos dois ministros por parte de Vorcaro.
O filho do ministro, Kevin Marques, disse em nota que tinha relação profissional com uma consultoria contratada pelo Banco Master. Além disso, novas mensagens de Vorcaro envolvendo Nunes Marques vieram a público. As referências ao ministro foram retiradas da versão final da proposta de delação, e Vorcaro não teria apontado crime ou favorecimento direto dele.
