Enquanto você lê a coluna de hoje, o cenário político ainda contabiliza os efeitos do pedido de desculpas feito pelo presidenciável Flávio Bolsonaro à madrasta, Michelle. Às vésperas da realização da convenção nacional do PL, o gesto diz muito mais sobre a corrida ao Planalto do que sobre as relações familiares. É parte do jogo e da dança pelo poder.
Acordo de Paz
Flávio Bolsonaro, o filho, e Michelle Bolsonaro, a esposa de Jair Bolsonaro, selaram um acordo de paz em público. A estratégia que levou ao pedido de desculpas do presidenciável à madrasta ocorre às vésperas da realização da convenção nacional do PL, neste sábado, em São Paulo.
Necessidade de mudar a pauta
Nos últimos meses, a campanha de Flávio tem enfrentado uma série de pequenas crises que, somadas, refletiram nos números das pesquisas recentes. Era preciso, então, que o candidato do PL mudasse a pauta sobre si mesmo e encontrasse um tema positivo para ser destaque na pré-campanha. É aí que entra o pedido de desculpas.
Michelle não pode ser ignorada
Michelle nunca foi eleita, propriamente, mas, com a função exercida por ela de presidente nacional do PL Mulher, agregou um exército de mulheres em diferentes frentes, tanto no meio evangélico quanto fora dele. Esse ‘exército’ não poderia mais ser ignorado pela campanha de Flávio. Era hora de deixar as vaidades de lado e recuperar o apoio da esposa de seu pai e de uma das figuras mais influentes do partido no segmento das mulheres.
A vice ou o vice
Outra questão que ainda não está definida é quem será a vice ou o vice de Flávio Bolsonaro. As conversas recentes com outras siglas não avançaram ao ponto de levar a essa definição. Em outras palavras, podemos dizer que Flávio tem tido dificuldade para fechar a chapa. Pelas últimas movimentações do presidenciável, fica a impressão de que ele gostaria de ter uma mulher como candidata a vice. Alguns nomes chegaram a ser cogitados, como a senadora Tereza Cristina e a deputada federal por Santa Catarina, Júlia Zanatta. Com o acordo de paz entre ele e Michelle, essa questão pode estar sendo encaminhada.
A vice pode ser do Nordeste
O ponto alto da briga entre Flávio e Michelle ocorreu por divergências nas articulações do PL na Região Nordeste. Agora, depois do pedido de desculpas, há quem diga nos bastidores que a chave para o entendimento possa estar justamente no Nordeste. Trata-se da pré-candidata a deputada federal, até então vice-presidente nacional do PL e presidente estadual da sigla no Ceará, Priscila Costa. Não preciso destacar que ela e Michelle são próximas. Se o nome de Priscila se confirmar, será a confirmação de que Michelle entrou em campo e articulou para que o acordo de paz integrasse o Nordeste na negociação.
Vale lembrar que, historicamente, a Região Nordeste sempre deu boas votações para o PT. Portanto, é uma região em que o PL enfrenta desafios para ampliar sua votação. Com uma vice de lá, nota-se o esforço do partido em busca de mais votos na região.

Sobre a campanha de Bia Borba
A coluna recebeu uma informação nesta semana de que a pré-candidata a deputada federal Bia Borba (Novo) poderia declinar de sua candidatura. Fiz contato com Bia e perguntei se a informação procedia. Em resposta, ela disse que “no momento estou avaliando algumas possibilidades e aguardando respostas do partido antes de definir os próximos passos”.
Busquei mais detalhes com outras lideranças sobre o assunto. Em resumo, a possibilidade de desistência foi considerada por motivos ‘logísticos’, que incluiriam orçamento para a campanha, número de Bia na urna, entre outros detalhes.
Bia Borba é vereadora em Biguaçu, possui 263 mil seguidores nas redes sociais e um público muito engajado com o seu mandato. Ela também é próxima do deputado federal Nikolas Ferreira, com quem já apareceu em alguns vídeos publicados em suas redes sociais.
Caso a desistência de Bia se confirme, uma das principais beneficiadas deve ser Manu Vieira, vereadora em Florianópolis e pré-candidata a deputada federal. Manu poderá atrair uma parcela dos votos de Bia, ampliando ainda mais a possibilidade de conquistar uma das cadeiras na Câmara Federal. Seja como for, ambas são lideranças jovens que se destacam no campo da direita e que devem ser mantidas no radar político de Santa Catarina.
Clima ruim no zap
Se o MDB não existisse, a gente ia ter que inventá-lo. Juro!
Uma liderança do partido fez contato com a coluna para falar sobre o desabafo de um prefeito da sigla no grupo de WhatsApp do diretório estadual, na manhã de hoje. Ele se referia a Emerson Maas, eleito prefeito de Mafra em 2024 e pré-candidato a deputado estadual. Recentemente, Emerson foi alvo da Operação ‘Pão e Circo’, que investiga supostas irregularidades em licitações.
Na mensagem que enviou ao grupo, Emerson criticou Eduardo Bertoldi, pré-candidato a deputado estadual na vaga deixada por Antídio Lunelli, que disputa o Senado. Eduardo visitou o Planalto Norte em pré-campanha e concedeu entrevista à imprensa local. O veículo classificou a pré-candidatura de Emerson como “inviabilizada” em razão da operação citada anteriormente. Emerson Maas entendeu que Eduardo Bertoldi estaria tentando prejudicar sua imagem na região. ‘O motivo da minha manifestação é a atitude de um companheiro de partido. Ninguém ganha a eleição sozinho, somos um time e precisamos estar unidos. Não podemos admitir fogo amigo’, disse.
Eduardo Bertoldi é chefe de gabinete do deputado estadual Antídio Lunelli que não irá à reeleição. Antídio é pré-candidato do MDB ao Senado, na chapa de João Rodrigues (PSD).
Democracia emedebista
O clima nos grupos de WhatsApp de partidos políticos acaba revelando, sutilmente, o sentimento dos filiados. Não apenas no MDB, mas em qualquer grupo político, a militância fala o que pensa sobre as decisões partidárias. Ainda segundo o correspondente internacional para assuntos do MDB, o clima no grupo do diretório estadual do 15 é ruim. ‘Quem tem mandato pensa de um jeito, a militância, de outro. Não há consenso’, disse.
CAASC em Criciúma
Nesta terça-feira, 21 de julho, a sede da CAASC (Caixa de Assistência dos Advogados de Santa Catarina), um braço social e assistencial da OAB/SC (Ordem dos Advogados do Brasil) no estado, foi transferida simbolicamente para Criciúma, cidade da presidente em exercício, Lucinara Manenti.
Pela primeira vez, a entidade deixou simbolicamente a capital e foi instalada em uma subseção do interior, reconhecendo a força e a representatividade da advocacia sul-catarinense. Além do ato simbólico, a iniciativa reforça a interiorização da CAASC e o compromisso de estar cada vez mais próxima dos advogados e advogadas de todas as regiões do estado.
