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60 anos do MDB: taças quebradas, presença de Amin e a pergunta que fiz a Paulo Afonso

02/06/2026

O encontro emedebista que rolou ontem na Assembleia Legislativa tinha como motivo a comemoração dos 60 anos do MDB. O partido foi fundado na década de 1960 para fazer oposição ao regime militar, durante a ditadura. De lá para cá, o MDB viveu glórias e dificuldades, ambas impostas pelo tempo. A vida longa permitiu que o partido participasse da redemocratização, mas também lhe impôs dificuldades para se manter atraente em meio às mudanças de comportamento, ideologia e estilo de vida do eleitor.

É a dor e a delícia de chegar aos 60.

Quem abriu os trabalhos na tribuna foi a ex-deputada Ada Lili, exatamente como ela detesta ser chamada, brincou Chiodini 😉

Agora, o MDB vive um momento em que se vê obrigado a explicar “a qual lado” pertence, numa época em que o eleitor parece se importar mais com o que os políticos defendem do que com projetos para o país. Quem usa verde e amarelo é colocado numa “caixinha” diferente de quem usa outras cores mais rubras. Os emedebistas, nascidos sob as cores vermelha e verde, não raro se veem quase obrigados a “esconder” seus tons para evitar questionamentos sem razão.

A festa de ontem mostrou que o partido não deveria ter medo nem vergonha de mostrar suas caras, suas cores e suas vontades eleitorais. O que talvez o MDB precise, o mais rápido possível, é ir para a urna. O emedebista está, de fato, morrendo de saudade de apertar 15.

Ter candidatura própria é o destino do MDB. Vai acontecer cedo ou tarde. Já era para ter acontecido em 2022, quando o partido se atrapalhou pela falta de comando e aprovou Udo Döhler como vice de Carlos Moisés, quando tinha — e muito — clima para lançar candidatura própria naquele ano, com Antídio Lunelli.

Agora, o MDB chega às vésperas do prazo das convenções prometido como vice de João Rodrigues (PSD). Mas, se o emedebista for consultado, os líderes do partido vão descobrir que ser vice é sempre a segunda escolha dos militantes e que eles gostariam mesmo é de ver seu partido na cabeça de chapa outra vez.

Se política é feita de fatos e de clima, o clima hoje leva o manda-brasa para a chapa de João, na vaga de vice, pelo que demonstra o presidente Carlos Chiodini, ainda que assim, um pouco partido, dividido, não unificado. Talvez não haja mais tempo hábil para a construção de uma candidatura própria para uma eleição que já começou lá em 2024 e que será lembrada no futuro como uma das mais antecipadas da história, mas esse será o destino do MDB. Se não em 2026, será em 2030. Se não em 2030, em 2034.

Se quiser continuar fazendo uma festa bonita de aniversário, o MDB vai precisar sair da sombra e botar a cara no sol, segurando a bronca que é conduzir um partido sem depender ou precisar da estrutura de governo, onde ocupou por longo período três secretarias de Estado no atual governo do PL, mas chegando ao ano eleitoral podendo bater na mesa e dizer: o nome do MDB na urna será o de um emedebista.

Agora vamos aos principais detalhes da noite de ontem.

O hall da Alesc ficou lotado ontem à noite na celebração do sessentão MDB. Embora a festa fosse do 15, o que chamou atenção foi a presença de uma figura de outro partido. As fotos a seguir são da Agência Alesc e foram feitas pelo sempre genial fotógrafo Bruno Collaço.

Amin na festa

Esperidião Amin chegou cedo, compôs a mesa de autoridades e discursou. Disse que ali “estava à vontade”. Foi aplaudido.

Taças quebradas

Sorte ou azar, ainda não se sabe. Mas a recepção aos convidados, logo após a cerimônia, teve um percalço. Alguém acabou esbarrando e derrubando as taças que serviriam o vinho da noite.

Dizem, mas não confirmo

Um dos presentes no evento disse à coluna que as taças substitutas vieram do gabinete da presidência. E foram devidamente devolvidas ao fim do evento, antes que um novo sopro quebrasse essas também.

Pré-campanha em segundo plano

Os burburinhos da noite ficaram em torno do futuro do partido. “Quem levar o MDB leva só metade”, disse um.

Deputados Tiago Zilli e Fernando Krelling. Um com João, outro com Litlle Jorge.

João Rodrigues ausente

Perguntei ao presidente do partido, Carlos Chiodini, se ele não convidou João Rodrigues para a festa. “Ele foi convidado, mas está em viagem. A partir de quarta-feira começamos um roteiro por Santa Catarina”, respondeu.

E o Paulo Afonso?

Se Amin foi a presença anotada, uma das ausências mais comentadas foi a do ex-governador Paulo Afonso Evangelista Vieira. Como eu prefiro morrer de tudo, menos de curiosidade, fui em busca da resposta.

— Sempre governador Paulo Afonso, muito bom dia! Ontem fui ao evento do MDB e achei que o encontraria por lá. O que houve para que o senhor não fosse?
— Estou em viagem ao exterior, programada e iniciada antes de a sessão solene ser marcada.
— Se estivesse aqui, teria ido?
— Excelente pergunta. Hehehe.

Ou seja, vou continuar curiosa.

Paulo Afonso e Esperidião Amin protagonizaram embates históricos na política catarinense, especialmente após Amin vencer Paulo em uma eleição e durante uma transição de governo marcada por muitas trocas de acusações. Ainda que algumas barreiras tenham sido superadas entre MDB e PP, sob o manto da eleição deste ano, querer encontrar os dois ex-governadores confraternizando na mesma festa parece ser um pouco demais para a história.

Reclamaram

Ontem a coluna listou quatro nomes de possíveis presidenciáveis para o próximo mandato na Alesc. Circulando por lá, percebi que dois nomes que deixei de fora da lista não gostaram: Mauro de Nadal (MDB) e Camilo Martins (PL). Então, agora a lista oficial da Maga possui seis nomes. E ela pode sofrer alterações a qualquer momento.