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Coluna da Maga: a mudança de tom de Carlos Chiodini entre mensagem pacífica e a carta com duras críticas

29/04/2026

Já é quarta-feira, e os efeitos do encontro dos emedebistas com Jorginho Mello, que aconteceu em Floripa, na noite de segunda-feira, ainda estão sendo contabilizados por todos os interessados em ter o Manda Brasa em seu projeto eleitoral.

De um lado, o grupo governista comemora o que foi considerado por eles um evento de sucesso, com a presença de mais de 50 prefeitos do MDB, segundo divulgado pela organização do encontro. Do outro, o grupo pessedista de João Rodrigues segue articulando a composição da chapa majoritária, com o MDB de vice.

Ontem à tarde, faltando pouco para as 18h, enquanto circulava pela Assembleia Legislativa, presenciei uma cena simbólica. O presidente da Casa, Júlio Garcia (PSD), acompanhado por outras lideranças, saiu do gabinete da presidência e foi em direção às escadas, enquanto perguntava: “Onde é o gabinete do Zilli, no primeiro ou no segundo andar?”. Foi informado de que era no segundo andar, para onde se dirigiu em seguida, bastante empolgado.

O encontro foi confirmado pelo deputado Tiago Zilli, que informou que, além do presidente da Alesc, estiveram lá o pré-candidato João Rodrigues (PSD) e o presidente estadual do partido, Eron Giordani.

Também ontem, a coluna recebeu, de integrantes de um dos grupos de WhatsApp do MDB, uma mensagem enviada pelo presidente do partido, Carlos Chiodini, no início da manhã de terça-feira, pós-evento dos prefeitos. Nela, Carlinhos, como é chamado por eles, adotou um tom pacífico e convocou os emedebistas a “trabalhar”.

Veja:

“Calma gente, partido estará em um projeto marjoritário e bem representado!
Não podemos tbm tesourar no momento os companheiros que pensam diferente.
Tenho a posição clara e apoio da maioria absoluta de diretórios e tbm dos colegas deputados que estão firmes.
Vamos em Maio encaminhar isso e iniciar os trabalhos “por toda SC” como diria o saudoso LHS.
Diante de tudo, depois de viver isso por várias eleições (a mesma novela nas últimas 3), nessa vamos ter o direito de expressar nossa vontade e preservar a história do MDB.
Bora 15, sem mimimi e nem chorôro, vamos trabalhar e fazer nossa parte!
Tenho fé cega e convicção que podemos vencer essas eleições onde estivermos.
A reunião de ontem mostra a importância do MDB em qualquer projeto.
Já foi feito igual com o PP e continuará assim, o poder é algo com que precisa se saber lidar.”

Perto do meio-dia, porém, ele divulgou uma carta em que adotou um tom divergente da mensagem anterior. A mudança de postura foi percebida e questionada por integrantes do grupo em questão. A coluna entrou em contato com o presidente do partido para saber mais sobre o assunto.

“Não foram 54, foram 30”, fez questão de dizer Carlos Chiodini, divergindo dos números divulgados pelos organizadores do evento de segunda-feira sobre o número de prefeitos presentes em apoio a Jorginho.

Chiodini também creditou a presença dos prefeitos no ato de apoio ao governador ao fato de dependerem de repasses estaduais para executar obras em suas cidades. “Em 2022, os prefeitos declararam apoio a Moisés, e olha o que deu”, relembrou.

Nova conversa com o governador
O presidente também respondeu se pretende atender ao convite do governador para uma nova rodada de conversas, conforme o próprio Jorginho destacou no encontro de segunda-feira. “Quando o Carlinhos voltar de Brasília, nós vamos conversar de novo”, disse.

“De novo”, porque, no último sábado, eles também conversaram na Agronômica. O emedebista disse que conversas fazem parte, mas que o MDB não entrará no projeto do governador nos termos atuais, ou seja, sem estar presente na majoritária.

“Meu alinhamento é com Baleia (Rossi), presidente nacional do partido, com o presidente Michel (Temer), Renan (Calheiros). O partido irá para onde eu disser que ele vai”, disse, relembrando, a quem interessar possa, sua influência e bom trânsito no âmbito nacional.

Prévias em maio
Carlos Chiodini projeta a realização de uma prévia do partido ainda em maio, para definir o futuro do MDB. Segundo ele, a prévia antecipada pode ser realizada no próximo mês, pois está dentro do prazo previsto no estatuto do partido.

Mudança de tom
Questionado sobre a diferença de postura adotada nas mensagens que divulgou ontem, Carlinhos não supervalorizou o ocorrido e disse que foram mensagens enviadas a públicos diferentes. Segundo ele, após o evento, os presidentes dos diretórios municipais lhe cobraram um posicionamento, e a carta foi uma forma de buscar acalmar os ânimos entre os que estariam mais incomodados. Já a mensagem enviada no grupo de WhatsApp tratava-se de uma conversa informal.

Fernando Krelling não gostou
O deputado estadual Fernando Krelling entrou em contato ontem à noite e reclamou do que leu na Coluna da Maga do mesmo dia.

“Não entendi. Recado apenas para três? Se, além dos três, ainda tinha Jerry, Antídio e Dona Ivete. Acredito que o ‘recado’ tenha sido para todos que lá estavam, além dos cinco mandatários e suplentes. Da forma que está a matéria, parece que a carta foi específica para os três”, protestou.

No texto, eu havia dito que a carta divulgada por Carlos Chiodini tinha endereço certo e que seria para Fernando Krelling, Emerson Stein e Valdir Cobalchini. A declaração está equivocada e, portanto, fica aqui o registro da correção. O recado era mesmo para todos os emedebistas, sem destacar este ou aquele.

Como bem disse Upiara Boschi em um texto não tão distante: a gente não é carteiro, mas, de vez em quando, a gente entrega uns recados.

Carlos Chiodini, deputado federal e presidente estadual do MDB-SC. Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados