“Ninguém está acima do partido”, diz o vereador Júlio Kaminski (PSL)

30/06/2021

A declaração foi logo após a sessão desta terça (29), quando o vereador e colega de partido, Daniel Antunes, alegou sofrer ameaças

Durante a sessão da Câmara de vereadores de Criciúma, desta terça-feira (29), que votou o parecer do Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina, referentes às contas da Prefeitura, dois fatos chamaram atenção: a presença do suplente de vereador, Jefferson Monteiro (PSL) e o fato de que os vereadores que votaram contra o parecer do TC, não justificaram sua decisão com base no processo. O processo recomendava a reprovação das contas de 2016, na gestão do prefeito Márcio Búrigo.  

O placar da votação foi de 14 votos contra o parecer e três a favor, sendo assim, as contas foram aprovadas. Na contramão da ordem do dia, que teria como pauta única a votação em questão, um vereador usou seu horário na tribuna, chamado de horário político, para desabafar – ou provocar – como queiram – seu colega de partido.

Trata-se do vereador estreante Daniel Antunes (PSL), colega de partido do vereador Júlio Kaminski. Antunes e Kaminski não tem caminhado em sintonia e o clima tenso no partido parece não ter prazo para acabar. Durante sua fala, Antunes disse que vem sofrendo ameaças e pressão, sem detalhar que tipo de ameaças seriam. Enquanto o vereador discursava, do lado de fora, Jefferson Monteiro, comemorava as declarações do colega de partido. Não é comum que suplentes participem das sessões na câmara de vereadores, muito menos, nessas circunstâncias, por isso o fato chamou atenção. Assim que Daniel Antunes concluiu seu discurso, Monteiro proferiu algum xingamento em direção de Kaminski e foi embora do local.

Ao final da sessão, o vereador Júlio Kaminski falou sobre o assunto.

Maga: Como o Sr. avalia as declarações do seu colega de partido, vereador Daniel Antunes?

Júlio Kaminski: eu só tenho a lamentar utilizar a tribuna da câmara pra discutir problemas partidários. O partido está à disposição. Ele tem total liberdade de conversar com o pessoal do partido. A nossa reunião que seria na segunda (28), e deve ocorrer na quinta (1º), nós deixamos de fazer pra evitar maiores conflitos por conta da votação de hoje, ele foi convidado para participar e tem total liberdade para mostrar a sua insatisfação e as razões pela qual ele fez determinadas coisas, como se afastar sem comunicar o partido, por exemplo. Ele teve a oportunidade de lançar uma chapa pra disputar a presidência do partido, por exemplo.

Maga: o que o Sr. acha que o motiva a ter essa postura?

Kaminski: no momento que a gente tiver uma nova reunião certamente a gente vai poder conversar. Ele tem total liberdade para trabalhar e se expressar. Em nenhum momento houve qualquer tipo de pressão para que ele votasse a favor ou contra qualquer coisa. Uma pena que ele tenha afirmado isso reiteradamente porque isso nunca ocorreu. Ninguém quer dissidências. O que nós queremos é que o partido seja construído com pessoas que estejam dispostas a contribuir. Ninguém é maior do que o partido. O mundo não gira em torno de ninguém e as pessoas tem que se adaptar as regras dos partidos.

Maga: o suplente Jefferson Monteiro esteve na sessão de hoje. O Sr. acredita que ele possa influenciar essa postura do vereador Daniel Antunes? Como está a sua relação com Monteiro atualmente?

Kaminski: a relação minha com ele fica muito evidenciada através das declarações que ele faz nas redes sociais e nas entrevistas que ele dá. Se tem influencia ou não, é um assunto que ele tem que resolver. O vereador é o Daniel (Antunes). Ele é que deve se posicionar, ter iniciativas, se manifestar em caso de discordância ou concordância. A questão da executiva, de ele não ter participado, lembra algumas declarações que ele fez internamente, para a própria executiva, que se o ex-presidente Alisson (Alisson Pires, ex-candidato a prefeito em Criciúma – 2020) nos permitir expor, a gente coloca. Engraçado que hoje se tem a possibilidade de conversar mandando uma mensagem no whatsapp e nem essa ferramenta foi utilizada. Isso resume um pouquinho. Só tenho a lamentar, mas eu não desisto. Acho que temos tempo para reconciliar.

Maga: após a fala do vereador Daniel, o Sr. declinou do uso da palavra e não respondeu as declarações. Nesse momento, Monteiro proferiu se dirigiu ao Sr. com algum xingamento. O sr. chegou a ouvir o que ele disse?

Kaminski: eu não sei quais são as insatisfações dele. Sinceramente eu não sei. Talvez seja pela insatisfação de estar no partido ou de querer provocar alguma situação para que provoque uma saída. São coisas que não vão acontecer. Eu sei o que é estar insatisfeito num partido. Eu passei por isso. Em nenhum momento o partido vai provocar ou contribuir para a saída de alguém. E o partido está acima de nós e os mandatos pertencem ao partido. Esses xingamentos não levam a lugar nenhum. Esse tipo de discussão eu não vou entrar. Eu sou vereador pra trabalhar. Posso te falar das viagens que fiz à Florianópolis, ao Governo do Estado da semana passada, aos projetos de desenvolvimento regional. Tem tanta coisa pra fazer e esses debates não levam a lugar nenhum.

Na semana passada estive na Santur falando de um projeto de desenvolvimento turístico, que envolve educação, social e desenvolvimento econômico, isso significa geração de emprego. Ontem estive com o deputado (federal) Fábio Schiochet (PSL), acompanhando um prefeito da região que o procurou para solicitar verba para um projeto para o esporte, um complexo de R$ 6 milhões. O Fabio é um dos deputados que mais traz investimentos para Santa Catarina. Aproveitei e falei sobre emendas para outros projetos. Também vou à Brasília em breve, acompanhando o vereador Maneca, e nessa viagem vou procurar o deputado novamente, assim como a Secretaria de Esportes, para contribuir para o desenvolvimento. Participei de uma reunião no último domingo à noite, na Quarta Linha, porque era de interesse dos moradores daquele bairro. Isso é a vida de um parlamentar. Assim tem que se comportar um vereador, é isso que nós precisamos fazer para a região e cidade. Nós temos que valorizar a função senão ela se torna inútil. São 17 vereadores, com projetos em comum, mas cada um defendendo a sua bandeira. Mas acima de nós está Criciúma. Nós temos uma eleição ano que vem, nós precisamos escolher bem. Na podemos errar. Nós temos que fazer o melhor, acertar o máximo que a gente puder em todas esferas.

Foto: Luan Ghisi
Deixe seu comentário:

Uma resposta

  1. eu vejo as sabias palavras do grande vereador Júlio Kaminski…vejo que esta havendo uma fofoca interna no partido que so poderia acontecer se o partido e os politicos estivessem na função de lavar roupas…mais como a função não é esta então que cada um se coloque no seu lugar e que sigam todos os mesmos caminhos, que é fazer o máximo possível POR CRICIUMA…e não por causas próprias que nem se sabe quais são, pois o Jeferson e o Daniel estão falando igual ao rei dos magos…falam de forma confusão que acaba por não falar nada…sejam quais forem os objetivos todos deveriam se redirecionar…alinhar os pneus…e seguirem a mesma linha…já que são todos do mesmo partido…parabéns ao Kaminski…parabéns ao Daniel…e parabéns também ao Jeferson, que por pouco também não foi eleito….mais ainda assim é um suplente. politica é isso mesmo…vamos correr atrás da próxima, mais com o máximo possível de união e principalmente pensando e focando em criciúma.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Novidades no seu e-mail